Dear Barely Known,
Não sei se já notaste, mas creio que em mim nasceu um sentimento estranho. Este sentimento tem se aflorado durante o tempo, e ficado mais forte. Admito que ando assustado com ele. As vezes ele me faz pensar coisas que não queria pensar em muito tempo, coisas que não queria fazer. Algumas outras vezes também, ele me fez deixar de fazer coisas que eu queria fazer, mas por lembrar desse sentimento, não consegui.
Certo dia, confesso, quis te ligar durante a madrugada, com a intenção de ouvir tua voz e tentar conversar algo. Mas, desculpe-me dizer, você assusta, sabia? Não sei se é você, ou se vem a ser esse sentimento estranho. Engraçado é que acho que essas coisas afastam, não é? Mas é inevitável. Não sou muito bom em esconder esse tipo de sentimento.
Achei estranho no dia em que assisti em Californication, Karen dizer a Hank que em dez anos pode ser só uma mulher que ele cansou de transar, e então Hank diz que em dez anos ela pode ser o amor da vida dele. Pensei algo do tipo. Acho que estou ficando louco. Não considere isso. Ou considere.
Enfim, isso anda me consumindo. E o mais engraçado de tudo é: eu mal te conheço, nunca te vi, não faço a mínima idéia e existe se quer um pouco de reciprocidade.
Chamam isso de Paixão Platônica, eu, de insanidade romântica.
À você, um beijo, um abraço, um pedido de desculpas e quem sabe um de resposta também.
Um poema de um grande amigo pra acompanhar o texto:
Outra dúvida
“Eu tirei o brinco da orelha,
O celular do bolso
E sequei o rosto.
Queria encarar o problema,
Ou a falta dele,
E sorrir, acreditar, pensar um pouco.
Eu queria ao menos uma vez
Não querer nada.
Eu queria nada ao menos uma vez
Enquanto quero tudo.
Eu queria
Ia
Vou
Não sei,
Não sei
Não sei de nada.”
- Yuri Emanuel
“Falados os segredos calam
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu
Pecado é lhe deixar de molho
E isso lhe deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus
Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render”
(MONTE, Marisa; BROWN, Carlinhos; ANTUNES, Arnaldo - Pecado é Lhe Deixar de Molho)
E um 2011 cheio de amor a todos.
E um novo dia começa. Pode-se dizer que pra mim ao menos dá-se início uma nova fase. Outra fase, mais a frente. Creio que minha vida está rumando como a vida de um cachorro, onde cada ano vale por sete. Sinto, por mais incrível que pareça, o pesar do tempo e dos aperreios nos ombros. Sinto a vida esvair aos poucos, ou a morte mais perto de chegar, como queiram. Percebo o desapego a certas coisas, a desistência de outras, a vontade de fixar-me em algo. Vale salientar que “fixar-me em algo” não significa fixar uma residência, amancebar-me e tal. Fixar-me num plano. Qualquer que seja.
Acho que a única parte de juventude que me resta é a coragem e vontade de mover-me, como um nômade. Além da bebedeira, é claro. Creio que preciso manerar com essa bebedeira. A tristeza é tamanha, que o alcoolismo torna-se natural, uma máscara que encobre o semblante triste e ajuda a aguentar o que se passa. Hora de FAZER minha felicidade. Esperar da boa vontade dos Deuses é inútil, fazemos nossas vidas e trilhamos nossos rumos.
Chegara enfim a fase de dar a cara a tapa.
Cansaço
O cansaço vem quando menos esperamos. A qualquer momento, podemos perceber que cansamos de algo. No meu caso, ao assistir mais um episódio de Californication, descobri que estou cansado das pessoas e seus joguinhos sociais. Ao conversar com Matheus, descobri que estou cansado de discutir religiões, tabus e preconceitos. Ao ler Schopenhauer, descobri que uma pequena coisa interior afeta toda a periferia. Ao ouvir Fleet Foxes, descobri que preciso me arriscar mais. Ao ligar para um provável empregador, descobri que estou cômodo demais. Ao brigar com minha mãe, descobri que cabeças são difíceis de mudar, mesmo que para uma convivência melhor. Ao chegar em casa depois de um dia desses, descobri que essa internet não está me trazendo nada de bom além de más notícias. Ao ler uns tweets descobri que meu coração ainda sente, se rasga e fode com minha razão. Ao fumar um cigarro, descobri que estou tão carente como um cão sem dono. Ao tomar uma dose de whisky, descobri que me sinto “mais sozinho que um elevador vazio, achando a vida tão chata, achando a vida mais chata do que um cantor de soul”. Ao ouvir Zeca Baleiro, descobri que preciso achar a cura do meu coração, um amor, me cuidar.
Depois de UM dia como esse, descobri que é hora de uma pausa. De mais um sumiço. De três posts seguidos. Cansei de jogar.
Boas noites, bons dias, boas tardes, e fiquem em paz.

Arrisque
Nada vale mais a pena do que a tentativa independente do sentimento de dar errado. Grande parte da humanidade tem medo de arriscar, medo de perder o que tem, medo de não conseguir algo tão bom quanto, medo de perder o conforto.
Viajar, se declarar, se apaixonar, procurar um emprego melhor, um curso melhor, desistir do curso, mudar de casa. Afinal, pra que se apaixonar se está tão bem sozinho, pra que se declarar ja que pode-se quebrar a cara, qual a lógica de se procurar um emprego onde amaria fazê-lo se está ganhando tão bem e está tão confortável nesse, ir atrás de outro curso mais prazeroso tendo cursado três anos deste, desistir tão perto de acabar, sair da minha casa onde eu aprendi a viver e tem todos os meus ‘dejetos’?
Esse conformismo acaba com qualquer nação. Temos que aprender um pouco com os alemães no pós-guerra, onde viram que a geração atual não tinha jeito e fizeram a decisão de arriscar tudo para a geração futura, está aí o resultado.
Tudo parte dessa premissa, quem não arrisca não petisca, pior que tá, será fica? E se ficar? Se ficar, aprende-se. Nada é em vão.
Precisamos plantar o desapego do conforto.
Alguém quer se arriscar comigo?
Alguém quer mochilar pela América do Sul? Ir a Cuba? Tô atrás de emprego. Alguém quer desistir de Universidade também? Alguém ta afim de se mudar? Mrs Lucena quer gostar de mim também? Alguém conhece algum caminhoneiro pra me dar boléia?
Assustador, eu sei.
Mas vale a pena tentar.
E lá estava, parado, no anoitecer de um típico dia de Outono, sentado num banco de praça notando os olhares a ele direcionados. Feio, velho, carrancudo, mesclando-se com o nublado do fim do dia, o frio, e à névoa a baixar. Um pouco sorridente, é verdade, mas não era sorriso de felicidade que se formava em seu rosto, muito pelo contrário, ironia, sarcasmo, um pouco de álcool há pouco consumido.
Nesse mundo não se pode nascer feio, nascer feio é uma ofensa. “Como pode Deus ter colocado essa pobre criatura no mundo”, vamos, atirem-lhe moedas, horrendo e mal vestido assim, deve morar na rua. O que não faz uma esmola no ego de quem a atira? Estou ajudando alguém com esses trocados, não é muito, mas é o que eu posso dar, afinal sou uma pessoa altruísta! Será mesmo? Que bela massagem no meu ego, agora estou mais confortável.
Estariamos voltando à Esparta? Os próximos a nascerem feios devem ser atirados de um precipício? Acho que sim, afinal, quem empregaria tal criatura? Quem teria coragem de dar as caras ao público tendo um relacionamento com ‘isso’? Melhor ser atirado de um precipício.
Eis então que o velho levanta, junta as moedas atiradas com piedade, compra seus vinte melhores amigos e se dirige ao rio. Ah, como fora agitado esse rio um dia, lembrava-se de quando trabalhou nas docas, descarregando navios. Mas e então? O que aprendera com isso? Nada, a vida é curta demais para aprender o que quer que seja. Nascemos sabendo, acho. Eis que o dia se finda, chega a sombria e envolvente noite. Engraçado como mudam as personalidades à noite. Banhados à álcool as pessoas revelam seus mais profundos ‘eus’. Álcool… enfim, o álcool. A humanidade desde sempre procura algo para ‘fugir da realidade’, raça ébria, desde os primórdios, comendo uvas podres a fermentar para ficar ébrios. Como já dizia o velho poeta:
“É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.”
E assim caminha a humanidade, movida à álcool.
Fumava seus últimos cigarros… hora de procurar um lugar pra dormir. Achava que estava na hora de morrer. Por falar em morte, ria dos homens. Medo de morrer. Porque junto com a ascensão do cristianismo surgiu esse medo da morte? Engraçado inclusive, como essas mesmas pessoas que morrem de medo de morrer (rs) acreditam cegamente que após a morte existe o céu onde é um lugar melhor. Se é um lugar melhor, por que ter medo de morrer? Será mesmo que eles acreditam nisso? O Cristianismo deixa muitas dúvidas, é fato.
Bom era no tempo dos Vikings. Onde se era ensinado que a forma mais honrosa de morrer era em campo de batalha, onde ao findar o dia, as Valquírias percorreriam o campo de batalha recolhendo os espíritos dos que morreram com honra e os levaria para o Valhala, o castelo dos guerreiros de Odin, para festejarem, treinarem e esperarem o Ragnarok, a batalha do fim do mundo, para lutar ao lado de Odin. Inclusive nessa batalha o proprio Odin é morto pelo lobo Fenrir, que seria seu sobrinho.
Pois então, até os Deuses morrem.
Mas,
“Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.”
E com esse devaneio de um dia de outono, o velho fuma seu ultimo cigarro, deita-se sob uma marquise e cai no sono.
Citações:
Charles Bukowski
Escrevi esse texto alguns dias antes de sair de Lisboa de volta ao Brasil, é basicamente isso.
Changes
O que mantém uma pessoa sempre perto de seu local de nascença? Incrível como nós temos uma tendência a voltar para onde “pertencemos”, não há lugar como o lar, é o que dizem. Devido à experiencias recentes, acredito que é mais questão de se habituar. Passamos grande parte de nossas vidas em nosso local de origem, nos acostumamos com as pessoas, os lugares, bares, cafés, restaurantes. Sair de casa requer uma coragem não apenas de abandonar o que já tem, mas também uma coragem de começar outra vida. Creio que isso também requer uma certa coragem de esquecer, ao menos em parte, tudo o que passou e as pessoas que estiveram perto de nós todos esses momentos vividos, o que é difícil. Ao sairmos nos deparamos com novos costumes, novas vidas, novos ares. Nem sempre isso é bom, sabe? Por mais frio que você tente ser, há sempre momentos de dificuldades onde você olha pra cima, suspira, e nota, como aquilo tudo faz falta agora… a primeira etapa é sempre a mais dificil. Sabe aquela sensação de sair de casa, sem rumo certo, e ver alguém conhecido e acenar? É, acenar pra alguém faz falta. E quando percebe-se que você não é bem vindo ali? Difícil se mesclar em outras culturas. Não é como filme, nem tudo são flores. No fim, por várias vezes, só nos resta solidão, e tentar fazer novos amigos… eu fiz, ganhei incríveis amigos nessa estadia, por incrível que pareça.
Ah, viajar, sair de casa, conhecer varios locais, ter oportunidade de estar em cantos sempre sonhados. Isso é vida de turista, meus caros. Ao se mudar pra algum canto, onde você tem que refazer tudo, começar do zero, não sobra muito tempo nem atributos para curtir a vida adoidado, dar um pulo ali e outro aqui. Not so easy. Uma nova casa não é um novo lar. A coisa que mais me arrependo no momento, foi ter aberto o peito para fazer as puta amizades que eu tenho no meu lar. Mas também não me arrependo disso, se é que você entende. É uma coisa complicada. A partir do momento que deixamos alguém entrar em nossas vidas, com tudo, você fica marcado com aquele alguém. Fará falta.
Falta… quem me dera não tê-la. Seria tudo menos difícil. Mas a vida não é assim. Amigos e família são importantes. Ter um abraço, uma conversa, uma briga. Amigos de filosofia, de ideologia, de quarto, de cama, de mesa de bar, de mesa de bilhar. Ah a falta… Saudade isso seria? Não sei… dizem que saudade aperta no peito, dói na mente, nos deixa confusos. Acho que nunca senti isso direito, felizmente.
A busca da felicidade é complexa. Seguir um sonho, meter a cara, tudo isso requer sacrifícios, que você nunca sabe se está pronto para fazê-los. Para seguir um sonho temos que estar preparados para abrir mão de tudo, de todos e de nada. Acho que as vezes é mais facil abrir mão do sonho, transformá-lo. A felicidade é complexa. Ela não existe sem ter alguem para compartilhar. Acho que daí vem a importancia dos filhos… minha opinião quanto a ter filhos mudou… tudo um dia muda. Esteja preparado para mudanças. Se quer ir pra longe, vá, tente, quem sabe você não da sorte? Uma experiencia nunca é inválida. Tentar é sempre bom. E lembre-se sempre: o NÃO tá garantido, não tenha medo dele e procure um SIM.
Ah… quase esqueço… os nomes dos meus incríveis amigos que fiz aqui, José, Jack Johnny, JB. E também outros 20 que aparecem de hora em hora… vocês são uma ótima companhia.
- Ah, nove e meia.
Constata o homem ao ver o relógio. Estava com uma aparência triste, os olhos pesados, uma leve curvatura nas costas devido à sempre olhar para o chão enquanto anda. Fora assim desde criança. Apaga o cigarro, dá um suspiro não tão profundo, seus pulmões já não eram mais os mesmos de quando praticava esportes, e olha em volta. Era um restaurante-bar, grande parte das pessoas que ali se encontravam estavam apenas jantando, localizado na principal rua da cidade, num dia frio. Nem o aquecedor interno do restaurante esquentava suas mãos. Os casais e grupos que o observavam com interesse também não ajudavam muito. O nervosismo se dava pela investida que dera após tanto tempo. Decidira convidá-la para sair, e assim o fez.
Enquanto se arrumava em casa lembrava de todos os seus relacionamentos passados, todos frustrados, alguns deixaram mágoas e traumas, outros ciúmes possessivos. Começara a achar que o sexo feminino tinha uma capacidade ímpar de magoar e controlar. Não é a toa que se arriscara com o mesmo sexo. Se enganou, passou a ver que todo ser humano tem essa capacidade ímpar de magoar e controlar. Decidira ficar sozinho. Existiria o amor? Ou é tudo apenas uma paixão, que ao começar a passar faz com que os casais entrem num joguinho de poder pra ficar divertido e tentarem se aguentar por mais tempo?
Lembrou quando a conheceu. Estava indo fazer uma entrega do trabalho, quando passou a criatura. Caminhava olhando pra frente, usava óculos, isso poderia ser uma premissa de que lia muito. Andava com um copo de café, tinha péssimos hábitos noturnos. O olhar concentrado à frente podia ser na verdade pensamentos corroendo. Não tinha as unhas perfeitamente bem feitas, provavelmente por ter coisas mais importantes com o que se preocupar. Ela deve escrever, ou tocar violão. Mas o levemente bem feito, mostrava que ela ainda era vaidosa. Morena, magra, com seus 1,70m ou 1,75m. Não podia lhe tirar os olhos. Descobrira então que ela fazia alguma coisa no predio em ele que trabalhava, começou a admirá-la, aparecia no prédio todas as terças e quintas, fazia o mesmo ritual; entrava, ia na maquina de café, escolhia um capuccino e reduzia o açucar, subia ao 8º andar, passava cerca de meia hora, descia, escolhia outro capuccino e saía do prédio com o copo em mãos.
Pelos deuses! Estava perseguindo a criatura, isso, sabia ele, só significaria uma coisa: estava se apaixonando. Não podia se apaixonar, experiencias anteriores não o permitiam mais fazer isso. Tirou o resto do dia de folga.
Em casa, botou uma dose de seu melhor whisky, Led Zeppelin I na vitrola, acendeu um cigarro, sentou-se e começou a pensar na criatura. Percebeu que ao pensar nela, seu corpo esquentara, não fora se quer preciso um gole de whisky. Tomou-o assim mesmo. O álcool o fazia pensar melhor. Pensou em arriscar, tentar conhecê-la. Mas como fazê-lo? Estava enferrujado, há tempos não conhecia alguém com essas intenções, há tempos não fora atrás. O que iria falar? Sobre o que? E se falasse alguma porcaria como de costume seu, fazendo com que ela se afastasse? Não sabia mais como fazer. Por outro lado, queria que com ela fosse diferente. Queria deixar acontecer, ver no que dá. Decidiu arriscar.
…
continua…
Péssima paragrafação, eu sei, não sei fazer isso ^^